quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Carolina, MA (ravilha de lugar!)

Carolina, MA (ravilha de lugar!)


O primeiro post deste blog de viagens será sobre a Chapada das Mesas e os principais atrativos que ela nos oferece!

O parque nacional da Chapada das Mesas protege 160.046 hectares de Cerrado nos municípios de Carolina, Riachão, Estreito e Imperatriz, no centro-sul do Maranhão.

Seu nome veio por conta de seus platôs, que lembram o formato de mesas de pedra em alturas semelhantes. Isso se deu devido aos paredões de rocha de arenito formados há milhões de anos.


Os melhores meses para a visitação são na seca, em agosto e setembro, quando os acessos (alguns areais e estradas de terra) não estão encharcados e as cachoeiras e lagos estão límpidos e com uma profundidade boa.

Como chegamos na quarta-feira à tarde, quinta e sexta fomos para os lugares mais acessíveis e famosos, para evitarmos aglomerações. Nos hospedamos no Hotel Lírio, 60/pessoa quarto para solteiro e 40/pessoa quarto para casal, com café da manhã, wifi e garagem.

No primeiro dia, visitamos o Poço Azul e a cachoeira Santa Bárbara. Eles se localizam a 130 km de Carolina, sendo em torno de 30km em estrada de terra/areia. Saímos às 8:15 de Carolina em direção à cidade de Riachão. Entrando na cidade, perguntamos como fazíamos para chegar às cachoeiras, e nos foi indicado facilmente. O trajeto não tem muitas placas, após uns bons kms encontramos os primeiros indícios de que estávamos no lugar certo.
Indico fazer o percurso em carro 4x4, pois vimos um caminhão atolado no areal pelo qual passamos. As cachoeiras são em propriedade privada, com uma boa infraestrutura. Há sanitários, restaurante com comida caseira e guarda volumes. A taxa em dia de semana para a visitação é de 20 reais por pessoa. A trilha é de fácil acesso e a maior parte sobre uma passarela de madeira, com alguns degraus. A primeira cachoeira vista foi a de Santa Paula, contudo passamos direto pois nosso principal destino era o Poço Azul.

 Cachoeira Santa Paula
Poço Azul visto de cima

Seguimos a trilha que nos levou a uma bifurcação, Poço Azul/Santa Bárbara. Decidimos conhecer a cachoeira de Santa Bárbara primeiro, e foi uma surpresa ótima. O local tem uma ponte que dá acesso à uma caverna com entrada muito grande. Não exploramos pois não tínhamos os equipamentos necessários. Ao lado, a cachoeira exibe seus 75 metros de queda, formando um lindo poço com água azul escura. Os andorinhões fazem ninhos nas rochas que contornam o lugar, dando mais vida ainda à natureza.

 Caverna
Cachoeira Santa Bárbara

 Após um mergulho na cachoeira que ficou só nossa, seguimos para o poço azul, bem próximo. Mais uma ótima surpresa! Não haviam outros visitantes, aquela água límpida, muito azul, convidativa, estava apenas nos aguardando. Passamos algumas horas no local. A temperatura da água é bem agradável, e de tão límpida conseguimos ver muitos peixes e inclusive o fundo. Após o banho, seguimos para o restaurante, onde uma galinha caipira cozida nos aguardava (55 reais meia galinha com acompanhamentos).

Poço Azul

Em seguida, fomos ver o sol se por no rio Tocantins, que fica bem próximo ao hotel. À noite, lanchamos no Gourmet, onde tem sanduíches, massas, saladas, porções e pizzas a um preço bom.

Pôr do sol no rio Tocantins

Na sexta-feira, segundo dia, aproveitamos para ir ao Complexo Pedra Caída, um Eco Resort com atrações turísticas. Apenas a entrada é 10 reais por pessoa em dia de semana. O passeio para as cachoeiras Caverna e Capelão é 30 reais/pessoa, para a caverna Santuário é 20 reais/pessoa, os preços do fim de semana são um pouco superiores. Há esportes radicais no local, como tirolesa (70 reais), rapel, e outros, contudo são praticados apenas nos sábados e domingos. O passeio para as cachoeiras Caverna e Capelão sai a partir das 10 horas da manhã e tem o mínimo de 4 pessoas (ou 120 reais por carro - o passeio é realizado no carro do Resort) e para a Santuário sai de hora em hora.

Primeiro fomos à cachoeira da Caverna. Fomos em um veículo semelhante a um caminhão com cadeiras e toldo na carroceria. No trajeto, ele atolou duas vezes na areia e tivemos que empurrar. A trilha para a cachoeira é de fácil acesso, sendo em sua maioria por passarela de madeira. No grupo que estava conosco havia inclusive uma senhora e uma criança de colo. Chegando à entrada da caverna, já se ouve o barulho da cachoeira.
Transporte até as cachoeiras
Entrada da Cachoeira Caverna

 Deixamos as coisas em um banco e fomos “nadando” (profundidade de mais ou menos 0,8m). É fantástico ver a cachoeira pela outra saída da caverna, a queda não é muito alta, 15 m, e é possível tomar aquela ducha! A água tem temperatura agradável e é bastante transparente com pequenos peixinhos.

Cachoeira da Caverna

Em seguida, fomos para a cachoeira do Capelão, cujo acesso também é simples, através de uma escada. Andamos um pouco pela água e a cachoeira se encontra ao final da trilha, com 20 m de queda, formando um poço azul escuro mais profundo, e uma prainha em volta. O guia/motorista nos acompanhou o tempo todo. Retornamos à sede Pedra Caída e almoçamos um peixe frito, 40 reais com acompanhamentos, indico, estava muito bom.

Cachoeira do Capelão
Peixe frito no Eco Resort Pedra Caída

Após o almoço, por volta de 14:00, seguimos com um grupo grande para a cachoeira Santuário. Fomos pois já estávamos lá, sem muita esperança de ser melhor do que já havíamos visto.
Após uma trilha de fácil acesso com pontos de parada (acessível para pessoas com mobilidade reduzida e idosos, são apenas rampas), paramos alguns minutos para nos refrescarmos em pequenos feixes d'água que escorriam de um grande paredão no caminho (apenas 10 minutos) e então seguimos para a Santuário.

Parada de 10 minutos a caminho da Cachoeira Santuário

Mais um pouco de trilha de madeira e chegamos a uma parte onde deve-se caminhar pela água. Deixamos as coisas em um banco e seguimos. Ao fundo, se vê um paredão com um pequeno feixe, como uma cachoeirinha. Logo pensei que fosse a tal Santuário, mas ao virarmos à direita, vejo uma enorme queda de 46 m despejando suas águas com toda a intensidade em um lindo poço circundado de paredões rochosos! Vê-se apenas um pequeno feixe de luz incidindo no grande poço, incrível, praticamente indescritível. Ouvia-se apenas o barulho intenso mas águas caindo e sentia-se a fumaça de água nos molhando o rosto, enchendo os olhos de água. Foi um passeio que valeu muito à pena.

Cachoeira Santuário

Após o banho na cachoeira, seguimos para uma ponte com 54 m de altura, a Ponte do Pedro, que é apenas uma aventura pois ela balança mas não leva a lugar algum, é somente para conhecermos, me pareceu segura e divertida.

Após o complexo Pedra Caída, seguimos pela estrada até o Portal da Chapada, que é uma fresta em uma das rochas da chapada das mesas, de onde pode-se apreciar uma linda vista e com o céu claro, ainda avista-se o sol se pondo. Não há placas indicando o caminho, deve-se seguir pela rodovia e no km 591 atentar para a próxima placa de proibido ultrapassar. Há uma discreta entrada com muita areia, sem porteira. Por este caminho deve-se seguir a pé, subindo pela areia fofa, até o portal. É recompensante. E assim se encerrou o passeio de sexta-feira, mais uma boa experiência.


Portal da Chapada das Mesas

Sábado, terceiro dia, fomos conhecer as cachoeiras de São Romão e do Prata, as quais ficam mais distantes da cidade (84km), sendo a maioria do trajeto em estrada de terra com muita areia (apenas veículos traçados 4x4). Para esta visitação é praticamente indispensável um guia, uma vez que há várias bifurcações durante o percurso. Contratamos o Josyfran, um ótimo guia muito conhecedor da região, o que nos custou 100 reais (para todos). Caso deseje ir com o carro do guia (4x4), o valor é 400 reais por carro. As primeiras boas impressões do lugar já se dão pelo caminho: Atravessa-se o Parque Nacional da Chapada das Mesas até chegar à queda d’água, trajeto pelo qual conseguimos avistar quatis, emas, araras, seriemas, dentre outras belezas naturais em um bioma bem conservado.

 Ema livre observada no Parque

Arara livre observada no Parque

Para frequentar a cachoeira é cobrada uma taxa de 10 reais por pessoa, e também há restaurante no local (comemos carne de sol, acompanha arroz, feijão, macarrão e salada, muito bem servido, o guia comeu conosco e ainda sobrou. O custo foi de aproximadamente 40 reais). O acesso para a cachoeira de São Romão é bastante fácil, desce-se uma pequena trilha de terra e pedras e encontra-se um largo rio, resultante de quatro quedas enormes.

Cachoeira São Romão

A água tem uma ótima temperatura, contudo não é viável entrar na cachoeira pela força d’água. Nadamos um pouco e depois, acompanhados pelo guia, fomos por uma trilha até atrás da cachoeira. É uma vista incrível estar atrás da cortina dágua, que desce com explendor e força, nos molhando por inteiros apenas com a fumaça. No alto, vê-se andorinhões voando e aninhando-se, foi uma sensação incrível. Atente-se que, nem todos os guias levam os turistas para atas da cortina d’água.

Atrás da cortina d'água da Cachoeira São Romão

Às 14 horas, após o almoço, seguimos para a cachoeira do Prata e da Boca do Diabo, as quais ficam uma ao lado da outra. A visitação destas é apenas 5 reais por pessoa, a trilha é um pouco mais extensa mas nada cansativa, contudo mais uma vez o banho na cachoeira não é aconselhado, por haver muitas pedras no local. Após algumas fotos, retornamos pela estrada de terra ao hotel, por um longo mas prazeroso caminho.

Cachoeira do Prata

E assim encerrou-se nosso passeio de 3 dias pela Chapada das Mesas.

Aproveitem! :)


Créditos das fotos e das companhias:
André Araújo e Ana Yoko